Super Quarta, balanços dos bancos e petróleo a US$ 105: o que muda para o investidor
Voltar ao blog
Noticias 27/04/2026 8 min de leitura

Super Quarta, balanços dos bancos e petróleo a US$ 105: o que muda para o investidor

Wellington Alves
Wellington Alves Por Wellington Alves

Política Monetária

27 de abril de 2026

A semana concentra três vetores que podem recalibrar o humor dos mercados de uma só vez — a decisão do Copom e do Fed na Super Quarta, a prévia da inflação pelo IPCA-15 e o início da temporada de balanços dos grandes bancos brasileiros. Para quem investe, o desafio é separar ruído de sinal num cenário que mistura juros elevados, petróleo acima dos US$ 100 e tensão geopolítica sem prazo para acabar.

Selic atual
14,75%
Mercado dividido entre manutenção e novo corte de 0,25 p.p.
Fed Funds Rate
3,50%-3,75%
Expectativa de manutenção pelo Fed na quarta-feira
Petróleo Brent
US$ 105
Alta de 60% em 12 meses com Estreito de Ormuz fechado

Super Quarta: dois bancos centrais, um só dilema

A semana que se abre traz o evento mais aguardado do calendário monetário — a chamada Super Quarta, quando Copom e Fed divulgam suas decisões de juros no mesmo dia. Do lado brasileiro, a Selic está em 14,75% após o primeiro corte em quase dois anos realizado em março, e o mercado chega dividido a esta reunião. Uma parte relevante dos analistas espera manutenção, considerando que indicadores como o IBC-Br vieram negativos e que o cenário externo segue turbulento.

Outra parcela, porém, aposta em mais um corte de 0,25 ponto percentual, com base na trajetória de desaceleração da atividade doméstica e no arrefecimento — ainda que parcial — da inflação. O próprio Copom, na ata da reunião de março, deixou em aberto os próximos passos, afirmando que a magnitude do ciclo de calibração será determinada “ao longo do tempo”. Para o investidor, a leitura do comunicado será tão importante quanto a decisão em si.

Nos Estados Unidos, a expectativa é mais direta — manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, a terceira pausa consecutiva. O mercado precifica probabilidade superior a 85% de que o Fed manterá a taxa inalterada. A atenção se volta ao tom do comunicado e à postura do presidente Jerome Powell, que deixa o cargo em maio. Qualquer sinalização sobre o ritmo futuro de cortes — ou a ausência dela — pode mover os mercados de forma significativa.

Inflação no radar: IPCA-15 sai na terça

Antes mesmo da Super Quarta, o mercado terá um dado relevante para calibrar suas expectativas. O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, será divulgado na terça-feira. O IPCA fechado de março veio em 0,88%, levando o acumulado de 12 meses a 4,14% — dentro do intervalo de tolerância da meta de 3%, mas ainda distante do centro.

O número ganha peso adicional justamente por anteceder a decisão do Copom. Se vier acima do esperado, reforça o argumento pela manutenção da Selic. Se vier em linha ou abaixo, abre espaço para que o Banco Central siga no ciclo de cortes. O Boletim Focus mais recente projeta inflação de 4,1% para o fechamento do ano — um número que já embute o impacto parcial do petróleo elevado e da bandeira amarela na conta de luz, anunciada pela Aneel para maio.

Leitura de mercado

O ambiente atual exige que o investidor observe menos a decisão isolada de cada banco central e mais a trajetória que se desenha. Com Selic ainda muito restritiva, petróleo pressionando custos e o Fed sem espaço para cortar, o diferencial de juros reais do Brasil segue elevado — o que sustenta o fluxo de capital estrangeiro, mas também amplia a desaceleração da atividade. O investidor que entende esse equilíbrio instável consegue se posicionar com mais clareza.

Quer entender como a decisão de juros desta semana pode impactar a sua carteira de investimentos?

Falar com Wellington →

A maratona dos bancos: quem controla o risco, vence

A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 começa com os grandes bancos brasileiros sob uma lente bastante específica — a qualidade dos ativos. Em um ciclo de crédito mais apertado, o mercado não quer saber apenas quanto cada banco lucrou, mas sim como está a inadimplência, o nível de provisões e a disciplina na concessão de novos empréstimos.

O Itaú Unibanco chega como o mais previsível do grupo, com ROE projetado de 24,9% e um modelo de rentabilidade que tem se mostrado resiliente mesmo com a Selic em patamares historicamente elevados. O guidance para 2026 é ambicioso — lucro no ponto médio de R$ 51,1 bilhões — e o 1T26 será o primeiro teste real dessas projeções.

O Bradesco é o nome que mais desperta atenção. Vindo de um longo ciclo de reestruturação, o banco pode ser o destaque positivo do trimestre, com crescimento de lucro em dois dígitos sustentado por spreads melhores e NII de mercado mais forte. Analistas do Itaú BBA e do Goldman Sachs apontam o Bradesco como potencial surpresa.

No lado oposto, o Banco do Brasil deve apresentar o resultado mais fraco do grupo. Provisões elevadas — especialmente no crédito rural — e pressão sobre receitas colocam o ROE projetado em 8,5%, bem abaixo dos concorrentes privados. O Santander, por sua vez, deve entregar números sem grandes catalisadores, com ROE estimado em 16,2% e retração na linha final por conta de uma alíquota efetiva maior.

Projeções de ROE — 1T26
Itaú Unibanco 24,9%
Santander Brasil 16,7%
Bradesco 15,3%
Banco do Brasil 8,5%
Fonte: Goldman Sachs, abril/2026

Petróleo e geopolítica: o vetor que não sai do radar

O conflito no Oriente Médio continua como pano de fundo permanente para os mercados. O Brent opera acima dos US$ 105 por barril — uma alta de cerca de 60% em 12 meses — com o Estreito de Ormuz ainda parcialmente fechado. Uma breve abertura em meados de abril, vinculada ao cessar-fogo no Líbano, chegou a derrubar os preços em 10%, mas o movimento foi revertido quando as negociações entre EUA e Irã voltaram a estagnar.

Na última semana, o ministro das Relações Exteriores do Irã deixou o Paquistão sem se encontrar com negociadores americanos, após Trump ordenar a interrupção das conversas. Mesmo assim, o presidente declarou que a guerra “acabará em breve”. O mercado, habituado a esse tipo de oscilação retórica, começa a precificar um cenário de petróleo elevado por mais tempo — o que tem implicações diretas para a inflação global e para a trajetória dos juros.

Para o Brasil, o impacto é duplo. De um lado, o petróleo caro pressiona a inflação e dificulta o ciclo de cortes da Selic. De outro, favorece a Petrobras e sustenta parte da arrecadação fiscal. As bolsas asiáticas, mesmo nesse cenário, fecharam em alta nesta segunda — com recordes no Japão e na Coreia do Sul — impulsionadas pelo otimismo com inteligência artificial. Na Europa, o tom também é positivo enquanto investidores aguardam as decisões dos bancos centrais ao longo da semana.

Para onde olhar daqui em diante

A agenda dos próximos dias é densa e exige atenção em camadas. Na terça, o IPCA-15 define o tom para a Super Quarta. Na quarta, Copom e Fed decidem juros — e o comunicado de cada um deles vai pautar o mercado por semanas. A partir de maio, os balanços dos bancos começam a ser divulgados, com Santander na frente, seguido por Itaú, Bradesco, BTG e Banco do Brasil.

Hoje, os holofotes também se voltam para a decisão do Banco Central do Japão sobre sua taxa de juros e para a divulgação da pesquisa eleitoral Nexus/BTG Pactual, que inaugura o ciclo de levantamentos para as eleições de outubro. Em Wall Street, os futuros oscilam perto da estabilidade, sem direção definida.

O cenário pede posicionamento estratégico, não reativo. A combinação de juros reais elevados no Brasil, incerteza geopolítica persistente e uma temporada de balanços que vai separar empresas resilientes das vulneráveis cria um ambiente onde a seletividade na alocação faz mais diferença do que a direção geral do mercado.

Semanas como esta definem a trajetória de uma carteira bem construída.

Vamos analisar juntos como posicionar seus investimentos diante dos eventos desta semana.

Falar com Wellington →

Quer receber análises como esta diretamente? Cadastre-se para acompanhar as leituras de mercado do Wellington.

Quero me cadastrar →

Fontes: Banco Central do Brasil, Federal Reserve, Agência Brasil, CNN Brasil, InfoMoney, Seu Dinheiro, Goldman Sachs, Bradesco BBI, Itaú BBA, Banco Safra, Trading Economics, IBGE.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, oferta ou solicitação para compra ou venda de qualquer ativo financeiro. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise individual e acompanhamento profissional.

Entre em contato

Preencha o formulário e Wellington entrará em contato com você.






    Rolar para cima