Renda Variável
13 de maio de 2026
O Banco do Brasil reduziu a projeção de lucro líquido ajustado de R$ 22–26 bilhões para R$ 18–22 bilhões — o antigo teto virou o novo piso. Com o custo de crédito disparando e o agronegócio ainda pressionado, o primeiro trimestre já antecipava o que o guidance agora confirma.
O que o Banco do Brasil comunicou ao mercado
O Banco do Brasil revisou para baixo suas projeções de lucro líquido ajustado para 2026. A faixa que antes ia de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões agora situa-se entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões — uma recalibração que, na prática, transformou o teto anterior no novo piso.
A revisão já era esperada por boa parte dos analistas. O primeiro trimestre entregou um lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões — queda de 53% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado confirmou o que o mercado vinha precificando: o guidance original estava descolado da realidade operacional do banco.
Além do lucro, o custo de crédito foi o indicador que mais chamou atenção. A projeção saltou de R$ 53–58 bilhões para R$ 65–70 bilhões, refletindo a necessidade de provisionar mais diante de uma carteira ainda sob pressão — especialmente no agronegócio.
O agronegócio como vetor central da pressão
O Banco do Brasil é, historicamente, o maior financiador do agronegócio brasileiro. Essa posição, que em ciclos favoráveis se traduz em vantagem competitiva, agora funciona como vetor de pressão concentrada. O ciclo de inadimplência que começou em 2025 ainda não se encerrou — e a CEO Tarciana Medeiros sinalizou que a virada só deve acontecer a partir do segundo semestre.
A carteira de crédito do agronegócio, que projetava variação de -2% a +2%, registrou crescimento de 3% no primeiro trimestre — mas esse avanço veio acompanhado de um custo de crédito muito acima do previsto. Em outras palavras, o banco seguiu emprestando, mas o preço da inadimplência corroeu a rentabilidade.
A carteira de empresas, por sua vez, recuou 4,5% — abaixo do piso projetado de -3%. São dois segmentos que, juntos, explicam a maior parte da deterioração no resultado.
A revisão do Banco do Brasil não é apenas uma correção de números — é o reconhecimento de que o ciclo de crédito no agro ainda não encontrou fundo. Para o investidor posicionado em BBAS3, o ponto de atenção não é o guidance revisado em si, mas a trajetória do custo de crédito nos próximos trimestres. Se o segundo semestre confirmar a estabilização que a gestão projeta, o múltiplo atual pode se mostrar assimétrico. Se não confirmar, novas revisões não estão descartadas.
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A margem financeira: o dado que destoa
Em meio a um quadro predominantemente negativo, a margem financeira bruta chamou atenção na direção oposta. A projeção foi revisada para cima — de 4%–8% para 7%–11% — e o realizado no primeiro trimestre já alcançou 14,8%, muito acima do novo teto.
Esse dado reflete o efeito da Selic elevada sobre o spread bancário. Com juros altos, a margem de intermediação tende a se ampliar — o que, isoladamente, favorece o resultado financeiro. O problema é que esse ganho está sendo mais do que compensado pelo aumento das provisões para devedores duvidosos.
Para o investidor, é um sinal duplo. O banco consegue gerar receita financeira robusta, mas precisa destinar uma parcela cada vez maior desse resultado para cobrir o risco de crédito. A eficiência da operação depende de qual lado da equação se normaliza primeiro.
O que a gestão sinaliza para o segundo semestre
Tarciana Medeiros foi direta ao contextualizar o momento: trata-se de um semestre mais apertado, dentro de um ciclo que vem de 2025 e deve se encerrar em junho. A expectativa do banco é de que o segundo semestre já apresente um perfil diferente — com arrefecimento da inadimplência e recuperação gradual da rentabilidade.
As demais projeções foram mantidas. A carteira de crédito total segue com crescimento estimado de 0,5% a 4,5%, as receitas de prestação de serviços entre 2% e 6%, e as despesas administrativas controladas na faixa de 5% a 9%. Isso sugere que, na visão da gestão, o problema está concentrado no custo de crédito — não na operação como um todo.
| Indicador | Anterior | Atual | 1T26 |
|---|---|---|---|
| Lucro líquido ajustado | R$ 22–26 bi | R$ 18–22 bi | R$ 3,4 bi |
| Custo do crédito | R$ 53–58 bi | R$ 65–70 bi | R$ 18,9 bi |
| Margem financeira bruta | 4%–8% | 7%–11% | 14,8% |
| Carteira de crédito total | 0,5%–4,5% | Mantido | 1,8% |
| Receitas de serviços | 2%–6% | Mantido | 5,5% |
| Despesas administrativas | 5%–9% | Mantido | 5,5% |
Para onde olhar daqui em diante
O ponto central para quem acompanha BBAS3 é a dinâmica do custo de crédito nos próximos trimestres. A gestão aposta que o ciclo de inadimplência no agro se encerra em junho — se isso se confirmar, o segundo semestre pode trazer uma recuperação relevante nos resultados. Se não confirmar, o novo piso de R$ 18 bilhões pode ser testado.
Outro vetor importante é a trajetória da Selic. Com a margem financeira já rodando acima do teto projetado, uma eventual queda nos juros pode comprimir o spread — mas, em contrapartida, tende a aliviar a pressão sobre a inadimplência. O equilíbrio entre esses dois movimentos vai definir a qualidade do resultado no segundo semestre.
Para o investidor posicionado em bancos públicos ou com exposição relevante ao setor bancário, o momento exige atenção ao ritmo de normalização do crédito rural e aos sinais que os próximos balanços trimestrais vão trazer. O guidance revisado é um ponto de partida — não necessariamente o ponto de chegada.
Revisão de guidance exige revisão de carteira
Entenda como essa movimentação do Banco do Brasil pode afetar sua estratégia de alocação
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Fontes: Banco do Brasil — Resultados 1T26 e Guidance Revisado (13/05/2026); Money Times.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, oferta ou solicitação para compra ou venda de qualquer ativo financeiro. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise individual e acompanhamento profissional.